Síndrome do Pânico: o olhar da Gestalt

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Síndrome do Pânico: o olhar da Gestalt

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Síndrome do Pânico é transtorno de ansiedade que pode ser evitado.

Neste artigo, vamos tentar encontrar resposta e caminhos para combater essa situação de medo e desespero. Para isso, analisaremos os seguintes tópicos da Gestalt-terapia:

  • O ser humano na sua relação criativa com o meio,
  • o ser humano como ser de contato,
  • definição de doença na Gestalt-terapia,
  • definição da Síndrome do Pânico a partir do DSM e CID 10.

Vamos lá!

Quais são as bases da Gestalt-terapia?

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Pra nós, psicólogos ou não, é óbvio a necessidade de se combater a onda de desumanização e a massificação do indivíduo. Portanto, novas formas de se entender o ser humano são cada vez mais necessárias.

Uma dessas formas de se entender o ser humano é a Psicologia Humanista. Considerada como a “terceira força” dentro da psicologia. Dentro dessa escola temos a Gestalt-terapia.

Existem vários mentores que fizeram parte da construção da Gestalt-terapia, como Perls, Laura Perls, Ralph Hefferline e Paul Goodman.

A Gestalt-terapia, diferente de outras abordagens psicológicas, é constituída por um conjunto de epistemologias. Nesse sentido, o conjunto de epistemologias se relaciona intimamente numa convergência quase que integral, ou seja, existe mais convergência do que divergência entre elas.

Temos como parte desse conjunto: a Psicanálise, a Fenomenologia, a Psicologia da Gestalt, o Existencialismo, entre outras.

A Síndrome do Pânico no CID 10 e no DSM IV

Segundo o CID 10, a Síndrome do Pânico é constituída por:

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“ataques recorrentes de ansiedade grave (pânico), os quais não estão restritos a qualquer situação ou conjunto de circunstâncias em particular e que são, portanto, imprevisíveis. Assim como em outros transtornos de ansiedade, os sintomas dominantes variam de pessoa para pessoa, porém início súbito de palpitações, dor no peito, sensações de choque, tontura e sentimentos de irrealidade (despersonalização ou desrealização) são comuns. Quase invariavelmente há também um medo secundário de morrer, perder o controle ou ficar louco”.

Já para o DSM IV, a característica essencial de um ataque de pânico:

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é um período distinto de intenso medo ou desconforto acompanhado por pelo menos 4 a 13 sintomas somáticos ou cognitivos. O ataque tem um início súbito e aumenta rapidamente, atingindo um pico (em geral em 10 minutos ou menos), sendo com frequência acompanhado por um sentimento de perigo ou catástrofe iminente e um anseio por escapar.

Os 13 sintomas somáticos ou cognitivos que o DSM IV cita são:

  1. Palpitações ou taquicardia;
  2. Sudorese;
  3. Tremores ou abalos;
  4. Sensações de falta de ar ou sufocamento;
  5. Sensações de asfixia;
  6. Dor ou desconforto torácico;
  7. Náusea ou desconforto abdominal;
  8. Sensação de tontura, instabilidade, vertigem ou desmaio;
  9. Desrealização (sensação de irrealidade) ou despersonalização (estar distanciado de si mesmo);
  10. Medo de perder o controle ou enlouquecer;
  11. Medo de morrer;
  12. Parestesias (anestesia ou sensações de formigamento);
  13. Calafrios ou ondas de calor.

O que é doença para Gestalt-terapia

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A Gestalt-terapia conceitua a doença a partir de um “modelo educativo” e dos distúrbios de desenvolvimento e crescimento. Ou seja, o conceito de sadio e doente toma outra dimensão – a dimensão de polaridades de um mesmo campo que se manifestam em graus.

Perls, segundo Burow (1985), afirma que somos neuróticos em maior ou em menor escala na relação da fronteira de contato entre organismo/meio. Assim para ele, a psicologia é o estudo dos ajustamentos criativos, ou seja, a busca de como o organismo funciona. E portanto os mecanismos neuróticos aparecem quando o organismo não é capaz de assimilar o novo.

Segundo a Gestalt-terapia, podemos elencar quatro exemplos de perturbações neuróticas:

A incapacidade de reconhecer a necessidade predominante; a dificuldade de reagir espontaneamente (por exemplo: exprimir raiva); não conseguir se concentrar sobre uma determinada coisa; e por fim a incapacidade de se retrair quando existe uma necessidade de que isso ocorra.

A Síndrome do Pânico à luz da Gestalt-terapia

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Sob o olhar da Gestalt-terapia, a síndrome do pânico é vista como um estado penoso do ser humano. Porém, força motriz para a busca da reavaliação do sentido da vida.

Nesse sentido Cracel (2005) afirma que a pessoa acometida por essa desordem deve buscar experimentar o medo para assim aprender a lidar com ele, tendo portanto, a possibilidade de entrar em contato com outros sentimentos, empodeirando-se e responsabilizando-se pela sua vida. Consequentemente, a síndrome do pânico é para a gestalt-terapia um momento de transformação.

Os fatores desencadeadores da síndrome do pânico são a ansiedade e os fatores estressantes que afetam o ser humano, portanto é necessário conhecer essa síndrome para poder lidar com ela.

Cracel (2005) afirma que a:

“gestalt entende o ser humano como um organismo auto-regulador, que busca um equilíbrio, e quando algo não vai bem em alguma parte do corpo, ele todo é afetado. Se algo não está bem com seu emocional, conseqüentemente seu organismo também é afetado”. 

Portanto quando uma pessoa é acometida pela síndrome do pânico ela vivencia sensações corporais, que geram medo. A Gestalt e a Psicanálise comungam da percepção que o ser humano possui uma energia que quando não usada forma adequada gera um sintoma, que consequentemente gera um ego fragilizado. Essas contribuições da Psicanálise permitem que a Gestalt afirme que na síndrome do pânico o estado psíquico do indivíduo é a expectativa do perigo e uma angústia defensiva.

O Tratamento da Síndrome do Pânico

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Com relação às possibilidades de tratamento, a Gestalt entende que a busca deve ser pela vivência das sensações ansiogênicas de uma forma mais funcional e consciente, entendendo as crises como alertas de que algo não está funcional. Em seguida deve acontecer uma busca pela reconstrução emocional, onde ocorre uma reavaliação da experiência vivida, que exija uma postura atenta acerca das emoções, sensações e desejos vividos.

Ser Humano… Um ser em processo…

A postura dos psicólogos da Gestalt perante o ser humano em sofrimento é a de considerá-lo como um ser em processo. Portanto, O ser humano vive situação relacionada ao seu meio que lhe proporciona prazer e sofrimento.

Assim o ponto central dessa abordagem é saber como o indivíduo se relaciona com o mundo e consigo mesmo. Numa situação de síndrome do pânico, não basta classificar que tipo, qual a causa ou solução, o que se buscar é de como esse sofrimento está sendo vivido. Entretanto o que importa é como o individuo lida com a situação de pânico no aqui-agora.

As classificações dos manuais de diagnóstico e estatístico de transtorno mental definem uma síndrome e suas características (sintomas), esses trabalham com um sistema de padronização. Portanto os sintomas apenas sinalizam como o indivíduo está se ajustando no conjunto de relações que mantém com o mundo e consigo mesmo.

Referencias Bibliográficas

BUROW, Olaf-Axel e SCHERPP, Karlheeinz. Gestaltpedagogia: um caminho para a escola e a educação. São Paulo: Ed. Summus, 1985.

CRACEL, D. L. C. Síndrome do Pânico dentro de várias visões com ênfase em Gestalt-Terapia. IGT na rede, Rio de Janeiro, V. 3, n. 4, 2005. Disponível aqui.

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